Escotismo

Escotismo: Foi fundado por Lorde Robert Stephenson Smyth Baden-Powell em 1907. É um movimento mundial, educacional, voluntário, apartidário, sem fins lucrativos. Tem como ideal o desenvolvimento do jovem através de um sistema de valores que foca na honra e tem como alicerce a Promessa e Lei escoteira. Prioriza o trabalho em equipe, a vida ao ar livre com o objetivo de fazer com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornando-o um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito, disciplina.

Ramo lobinho: Atende às necessidades das crianças de ambos os sexos na faixa etária compreendida entre 7 e 10 anos. O programa educativo concentra a sua ênfase no processo de socialização da criança, preparando-a para que, ao atingir a idade e as condições necessárias, prossiga a sua formação no ramo escoteiro. É inspirado no Livro da Jangal, de Rudyard Kipling, resumido em Mowgli, o menino-lobo. A seção do grupo escoteiro que congrega os lobinhos é denominada alcateia (de lobinhos, lobinhas ou mista). O chefe é chamado de akelá e seus assistentes são Baloo, Baguera, Kaa, Chill.

Ramo escoteiro: O programa educativo aplicado ao ramo escoteiro foca nos jovens de ambos os sexos na faixa etária compreendida entre 11 e 14 anos, e concentra sua ênfase no processo de criação e ampliação da autonomia. O programa é fundamentado na vida em equipe e no encontro com a natureza, sem se descuidar de outros aspectos relacionados com o desenvolvimento integral da personalidade.

Ramo sênior: Atende às necessidades de jovens de ambos os sexos na faixa etária compreendida entre 15 e 17 anos, e trabalha no processo de autoconhecimento, aceitação e aprimoramento das características pessoais e auxilia o jovem em seu desenvolvimento físico, intelectual, espiritual e social.

Ramo pioneiro: Trabalha com o serviço ao próximo. O ramo é para jovens de ambos os sexos entre 18 e 21 anos incompletos. O programa educativo aplicado ao ramo pioneiro concentra a sua ênfase no processo de integração do jovem ao mundo, dando muito valor sobretudo ao serviço à comunidade como expressão da cidadania, e auxiliando o jovem a por em prática os valores da Promessa e Lei Escoteira. O lema pioneiro é servir. A seção do grupo escoteiro que congrega os integrantes do ramo pioneiro é chamado de clã, que poderá ser integrado por rapazes, moças ou jovens de ambos os sexos. O clã é orientado por um mestre pioneiro e/ou uma mestre pioneira que podem ter um ou mais assistentes.

Missão: A missão do Escotismo é contribuir para a educação do jovem com base em um sistema de valores que tem como fundamento a Promessa e Lei Escoteira, e ajudar a construir um mundo melhor, no qual se valorize a realização individual e a participação construtiva em sociedade.

Visão: O Movimento Escoteiro é um movimento global que produz uma real contribuição na criação de um mundo melhor.

 

Princípios do Escotismo: A Organização Mundial do Movimento Escoteiro define como princípios do Escotismo o dever para com Deus (crença e vivência de uma fé, independentemente de qual seja); dever para com os outros (participação na sociedade, boa ação, serviço ao próximo) e o dever para consigo próprio (crescimento saudável e autodesenvolvimento).

Promessa escoteira: Resume o aspecto moral do Movimento Escoteiro. No momento da Promessa os membros do Movimento se comprometem voluntariamente a viver de acordo com a orientação moral do Escotismo.

Conceitos inerentes à Lei Escoteira: Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso, respeito pela propriedade e auto-confiança.

Quando Baden-Powell idealizou a Lei Escoteira decidiu não estabelecer leis proibitivas, mas conceitos para formação de pessoas benévolas para que, desta forma, o jovem escoteiro tivesse onde se espelhar e pudesse se orientar.

Promessa Escoteira: “Prometo pela minha honra fazer o melhor possível para cumprir meus deveres para com Deus e a pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer à Lei Escoteira”.

Os dez artigos da Lei Escoteira:

  1. O escoteiro tem uma só palavra: sua honra vale mais do que a própria vida.
  2. O escoteiro é leal.
  3. O escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação.
  4. O escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros.
  5. O escoteiro é cortês.
  6. O escoteiro é bom para o animais e as plantas.
  7. O escoteiro é obediente e disciplinado.
  8. O escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades.
  9. O escoteiro é econômico e respeita o bem alheio.
  10. O escoteiro é limpo de corpo e alma.

Promessa do Lobinho: “Prometo fazer o melhor possível para cumprir meus deveres para com Deus e a minha Pátria, obedecer a Lei do Lobinho e fazer todos os dia uma boa ação”.

Os cinco artigos da Lei do Lobinho:

  1. O lobinho ouve sempre os velhos lobos.
  2. O lobinho pensa primeiro nos outros.
  3. O lobinho abre os olhos e os ouvidos.
  4. O lobinho é limpo e está sempre alegre.
  5. O lobinho diz sempre a verdade.

Método escoteiro: Individualmente, muitos destes pontos são ferramentas de outras formas de educação. Mas no Escotismo fazem parte de um todo, tornando o método escoteiro único.

1. Aceitação da Lei e da Promessa Escoteira: Todos aqueles que querem fazer parte do Movimento Escoteiro devem aceitar a Lei e a Promessa Escoteira, e o fazem voluntariamente, pois ninguém é obrigado a ser escoteiro. Aceitar a Lei e a Promessa significa prometer vivenciá-las, assumir um compromisso de vida, um código de ética e de comportamento. Ninguém é obrigado a aceitar a Lei e a Promessa, mas a partir do momento que o faz espera-se um esforço para observá-las.

2. Aprender fazendo: O Escotismo prega o aprendizado pela prática, pela ação, valorizando o treinamento para a autonomia baseado na autoconfiança e iniciativa, desenvolvendo os hábitos da observação e dedução. Não usamos aulas para transmitir informações ou impingimos aos jovens exercícios teóricos com o objetivo de adquirir conhecimento. Preferimos fazer com que todos aprendam com a prática e que o erro seja visto como um passo em busca do acerto. Os jovens devem ser incentivados a desenvolverem suas habilidades e gostos pessoais, cabendo ao escotista criar oportunidades para tal.

3. Vida em equipe: A vida em equipe significa a integração em pequenos grupos, que são as unidades de trabalho nas seções. O pequeno grupo possibilita a descoberta progressiva de responsabilidade e prepara o autocontrole por meio da disciplina consciente assumida voluntariamente, além de desenvolver a capacidade tanto para liderar quanto para cooperar. Nos ramos escoteiro e sênior este ponto é aplicado sob o nome de sistema de patrulhas.

4. Atividades progressivas, atraentes e variadas: As atividades são o elemento que dispomos para atrair os jovens no Movimento Escoteiro. Para tal, é necessário que se atendam aos anseios, as características e necessidades de cada faixa etária. As atividades definidas, programadas com a participação dos jovens de acordo com cada ramo, asseguram o interesse e envolvimento deles, que vão ao grupo para se divertir – os chefes utilizam das atividades para ajudá-los na sua autoeducação. As atividades devem ser programadas de maneira progressiva não somente em duração, mas em termos de exigências de técnicas, habilidades e amadurecimento e de oferecer aos jovens desafios e aventuras de acordo com a sua evolução no grupo, ou vivência dos diferentes ramos. As atividades devem ser atraentes e variadas. Elas serão atraentes quando afinadas com os desejos e necessidades dos jovens. As atividades escoteiras compreendem jogos, capacitação em técnicas úteis estimuladas por um sistema de distintivos, a vida ao ar livre e em contato com a natureza, a interação com a comunidade, a mística escoteira e o ambiente fraterno.

5. Desenvolvimento pessoal com orientação individual: O chefe escoteiro deve acompanhar o desenvolvimento de cada jovem individualmente. Deve identificar suas qualidades e deficiências para melhor orientá-lo e criar oportunidades para que ele se supere. Manifestar interesse pelas coisas que ele faz, gosta, oferecer ajuda e orientação são alguns passos para conquistar a amizade do jovem. Portanto, o chefe deve considerar a realidade e o ponto de vista, identificar as potencialidades de cada um e dar o exemplo.

Propósito do Escotismo: Contribuir para que os jovens assumam seu próprio desenvolvimento, especialmente o do caráter, ajudando-os a realizar suas plenas potencialidades físicas, intelectuais, sociais, afetivas e espirituais, como cidadãos responsáveis, participantes e úteis em suas comunidades.

Áreas que o Escotismo busca desenvolver:

1. Físico: O corpo cresce e funciona com base em leis próprias. Pensa-se que uma pessoa não pode influenciar nos processos que vive seu organismo. Esta ideia é apenas parte da verdade, já que se tem demonstrado que muito do que podemos fazer pela proteção da vida é o desenvolvimento do corpo e cuidado da saúde.

2.Intelectual: O ser humano é algo mais do que um corpo: é um corpo inteligente. A inteligência permite descobrir a verdade que está expressa ou não nas coisas, relacionar uma coisa com outra, tirar conclusões, deduzir, armazenar informações e realizar muitas outras funções que progressivamente vão formando o conhecimento.

3. Caráter: Além da inteligência, o ser humano possui vontade. Uma e outra se complementam a tal ponto que pouco serviria a primeira se não exercitar a segunda. Enquanto a inteligência permite que se descubra a verdade, a vontade leva para o que é considerado bom. Uma pessoa de caráter é então aquela que sabe exercer sua vontade. Portanto, o caráter é uma disposição permanente das pessoas para organizar suas forças e impulsos de acordo com os princípios e valores que consideram corretos.

4. Social: A finalidade de todo processo educativo é a liberdade da pessoa. E a aspiração de toda pessoa é usar essa liberdade para alcançar a felicidade. Coincidindo com esta afirmação, Baden-Powell repetia continuamente que o verdadeiro êxito é a felicidade, e acrescentava dizendo que a melhor forma de ser feliz é fazer felizes os demais.

5. Afetividade: As experiências afetivas, tal qual o corpo, a inteligência e a vontade, formam parte da vida e contribuem para definir a personalidade. As emoções, sentimentos, motivações e paixões em que se expressam os afetos, conferem uma ressonância particular – mesmo que em muitas vezes não podemos definir com muita clareza, é de tal importância que deixam marcas em nossa história interna. As experiências afetivas surgem na vida diária, percebem-se interiormente, provocam reações corporais, manifestam-se na conduta e se expressam nas ideias e pensamentos, influenciando finalmente o modo de ser de cada um.

6. Espiritualidade: Desde quando toma consciência de si mesmo o ser humano busca respostas sobre a origem, natureza e o destino da vida. De onde venho? Quem sou? Para onde vou? Essas perguntas são recorrentes. Assim como não é possível separar as pessoas em componentes físicos, intelectuais, éticos, emocionais ou sociais, tampouco dá de arrancar da vida humana sua vocação para o transcendente, a admiração ante o mistério, a busca de Deus. Daí que o desenvolvimento integral da pessoa compreende no desenvolvimento de sua dimensão espiritual.